CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 1873
Pode fazer testamento cerrado o surdo-mudo, contanto que o escreva todo, e o assine de sua mão, e que, ao entregá-lo ao oficial público, ante as duas testemunhas, escreva, na face externa do papel ou do envoltório, que aquele é o seu testamento, cuja aprovação lhe pede.

 
 
 
Resumo Jurídico

Art. 1873 do Código Civil: Prescrição Extintiva de Direitos Reais

O artigo 1873 do Código Civil trata da prescrição extintiva, um instituto jurídico que extingue o direito de ação, ou seja, o direito de cobrar judicialmente um direito, caso este não seja exercido em determinado prazo. No contexto específico deste artigo, a prescrição extintiva incide sobre os direitos reais, que são aqueles que conferem a uma pessoa o poder direto e imediato sobre uma coisa, independentemente de quem a possua.

Pontos Fundamentais do Art. 1873:

  • Prazo de Prescrição: O artigo estabelece um prazo prescricional de vinte anos para o exercício de ações fundadas em direitos reais. Isso significa que, após duas décadas sem que o titular do direito real tenha exercido sua pretensão judicial, ele perde a possibilidade de acionar a justiça para defender esse direito.

  • Direitos Reais Abrangidos: A prescrição de vinte anos abrange uma ampla gama de direitos reais, como:

    • Propriedade: O direito de usar, gozar, dispor e reaver a coisa.
    • Servidão: O direito de usar uma propriedade alheia para benefício da sua.
    • Usufruto: O direito de usar e colher os frutos de uma coisa alheia.
    • Penhor: O direito real de garantia sobre bens móveis.
    • Hipoteca: O direito real de garantia sobre bens imóveis.
    • Anticrese: O direito de receber os frutos de um imóvel para pagamento de uma dívida.
  • Natureza da Ação: O que prescreve, segundo o artigo 1873, é a ação judicial que visa proteger ou reconhecer o direito real. Não se confunde com a extinção do próprio direito real em si, embora na prática a impossibilidade de ação efetivamente limite a sua exercibilidade.

  • Interrupção e Suspensão: É importante notar que o prazo prescricional pode ser interrompido ou suspenso por determinados fatos previstos em lei. A interrupção faz com que o prazo recomece do zero, enquanto a suspensão paralisa o curso do prazo, que retoma de onde parou após cessar o motivo que a causou. Contudo, o artigo 1873 não detalha essas situações, que são tratadas em outros dispositivos legais.

Implicações Práticas:

O artigo 1873 tem uma grande importância prática, pois:

  • Segurança Jurídica: Garante segurança jurídica nas relações de propriedade e posse. Após o decurso do prazo, a situação fática tende a se consolidar, evitando litígios prolongados sobre direitos que não foram exercidos.
  • Preservação do Estado de Fato: Em muitos casos, a prescrição extintiva de direitos reais pode levar à consolidação de um estado de fato, especialmente quando a posse sobre o bem se mantém de forma mansa, pacífica e ininterrupta por um longo período (o que pode levar à usucapião, outro instituto de aquisição de propriedade pelo tempo).
  • Responsabilidade do Titular do Direito: Demonstra a necessidade de o titular de um direito real estar vigilante e agir judicialmente para defender seus interesses quando estes são ameaçados ou contestados. A inércia prolongada pode levar à perda da possibilidade de tutela judicial.

Em suma, o artigo 1873 do Código Civil estabelece um prazo significativo para a defesa judicial de direitos reais, incentivando a diligência dos seus titulares e promovendo a estabilidade das relações jurídicas.